Inovação é melhoria de processos? Três abordagens para você entender inovação

Inovação é melhoria de processos? Três abordagens para você entender inovação

Este é o segundo da série de três artigos sobre a discussão das respostas do questionário que disponibilizamos para divulgar nosso site e conhecer nosso público.

No artigo anterior, vimos o que podemos entender sobre o perfil e empreendedorismo (o empreendedor tem um perfil?). Hoje nós vamos falar sobre o que é a inovação e como as pessoas que participaram da nossa pesquisa a entendem.

Vai entender melhor e não ficará influenciado

 

Aproveite!


Muita gente acha que inovação é algo novo, que nunca foi visto no mercado, mas…

Considerar a inovação como algo nunca visto, limita muito a criatividade das pessoas, principalmente porque todos nós construímos ideias a partir das coisas que já conhecemos. Logo, é impossível criar alguma coisa sem termos base de algum referencial previamente compreendido.

Veja você,

é conhecida a história que os índios não conseguiram identificar o navio dos portugueses, simplesmente porque nunca tinham visto um antes. Mas é bem possível que esse reconhecimento tenha vindo logo depois que eles começaram  a comparar suas próprias embarcações com aquela maior, em que os homens poderiam entrar dentro delas…

Logo, embora possam não ter reconhecido algo novo instantaneamente, as referências da sua cultura levou-os à compreensão do objeto.

Outro exemplo é o telefone celular: o telefone já existia há mais de um século, a portabilidade próximo ao local da base veio no fim do século passado, então qual foi a novidade? A portabilidade sem base. E nós saímos com aqueles “tijolões” amarrados na cintura ou dentro das bolsas (já por si mesmas pesadas) com a novidade do último momento…

 

Depois, vieram os aplicativos, que além de telefonar e guardar números, também poderíamos fazer outras coisas como jogar ou usar uma calculadora.

Os smartphones introduziram outra inovação: a liberação do teclado pelo leve deslizamento dos dedos por cima de uma tela translúcida… E quantos aplicativos continuam sendo criados em função da tecnologia que dá suporte?

Mesma base, muitas inovações.


Por isso nós definimos que a inovação e melhoria dos processos é, basicamente, a mesma coisa, pois:

Inovação consiste em implementar algum produto, serviço ou modelo de negócio novo para a empresa, mesmo que já seja conhecido no mercado.

Grifamos “para a empresa” porque a inovação pode já ter sido implementada em outros locais, outras organizações, mas tudo que é novo para a empresa, tudo que deve ser aprendido a fazer, então pode ser considerado uma inovação.

Ainda não convencido? Pois vejamos…

Diversas instituições como o SEBRAE, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e instituições educacionais afirmam que a inovação é:

Toda a invenção que é aceita no mercado.

Na minha dissertação de mestrado, eu pincei um conceito de inovação da Organização Europeia de Comércio e Desenvolvimento (OCDE) (1995) subdivide quatro tipos de inovação:

  • inovação em produto (a qual envolve um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado);
  • inovação em processos (o qual envolve um novo ou significante melhoramento na produção ou método de distribuição);
  • inovação em marketing (o qual envolve um novo método de marketing, incluindo significativas mudanças em design de produto ou embalagem, reposicionamento de produto, preço e promoção);
  • inovação organizacional (que introduz um novo método nas práticas de negócio interno ou externo à empresa).

Basicamente, é o mesmo conceito de Joseph Schumpeter.

Observe que o texto ao lado menciona o empreendedor como um inovador.

Desta forma, dificilmente veremos a inovação como uma ação isolada. Sempre tem alguém com uma cara meio louca tentando fazer algo novo.

Essa cara meio louca tem relação direta com a imaginação. Dá pra ver a fumacinha que sai da nossa cabeça quando estamos pensando, repetidas vezes, simulando, analisando, pesando as diversas possibilidades para fazer algo novo, para mudar uma situação atual.

Compreende-se, assim, que,

a inovação não é somente o lançamento de um novo produto no mercado, mas também a busca pela maior qualidade de um produto existente, o qual permite uma vantagem competitiva.

Mas agora você vai ver que a inovação é muito abrangente. Por isso, pode-se afirmar que existem pelo menos três possíveis enfoques para entendê-la e como ela é importante para a sociedade.

Olha só esse esqueminha que os autores Juliani et al. (2014) usaram para mostrar como as inovações podem caminhar do negócio para a inovação social.

 

 

A inovação social, essa definição é nova, determina um novo padrão de qualidade de vida, seja por meio de uma ou várias organizações não governamentais, associações, redes de pessoas, etc, que almejam a mudança com melhoria de qualidade de vida para um grupo de agentes, que pode ser o meio ambiente, animais, seres humanos.

 

Assim, não se pode restringir a inovação ao mercado, dado que ela ultrapassa o campo meramente financeiro.

Outro enfoque interessante que uma empresa engenharia aplicada mostra é onde a inovação irá gerar novas estruturas de interação com pessoas e coisas. A inovação funcional renova a usabilidade e desejabilidade para as pessoas que utilizam determinado produto ou serviço. A inovação radical já modifica profundamente o mercado, a tecnologia, etc. A inovação pelo processo promove a mudança no ambiente, modificando rotinas, processos e pessoas e a inovação emocional consegue modificar a percepção das pessoas pelos sentidos, principalmente o visual.

 

 

Observa-se que a inovação nem sempre depende da tecnologia.

Por isso mesmo, pode-se dizer que existe inovação em serviços. Muitas vezes, a simples mudança de uma forma de atendimento ou pagamento já pode ser considerado uma inovação. Para entender melhor, leia o artigo Modelo de Negócios Canvas da Saraiva.

 

Mas, a forma mais comum de entender a inovação é justamente pela profundidade em que ela altera as rotinas do ambiente e das pessoas. Neste sentido, os muitos autores classificam as inovações em três grupos principais, radical, incremental ou substancial.

 

 

É desse jeito que nós podemos entender que a inovação não é somente algo novo no mercado, mas também algo que incrementa, aumenta a qualidade de um produto, processo ou ideia já existente.

Por não ser um conceito fácil de definir devido a essa amplitude em todos os campos de conhecimento, pode-se entender que,

inovação é o conhecimento novo que ela gera.

Logo, melhoramento em processos que introduz um novo aprendizado para os funcionários e para o empreendedor é uma inovação.

A nossa pesquisa

A nossa pesquisa fez duas questões relacionadas à inovação e encontrou que 64% dos respondentes marcaram que há espaço para a empresa inovar (respostas entre 4 e 5) (figura 1). 59% dos respondentes acreditam que a empresa precisa melhorar seus processos e produtos/serviços (figura 2) e 31% dos respondentes demonstraram perceber de igual modo, tanto a necessidade de inovação, quanto a melhoria dos processos (nível 5).

 

Figura 1 Figura 2

 

Embora a maior parte dos respondentes declararam a necessidade de inovação, a literatura acadêmica tem demonstrado que para inovar é necessário um ambiente capaz de diminuir o grau de insegurança quanto ao seu risco. Entende-se por ambiente, tanto interno, quanto externo à firma.

O risco de inovar não recai somente sobre a pequena firma, mas médias e grandes empresas, com equipes específicas de criação, tendem a serem mais conservadoras devido às rotinas já implementadas e aos altos custos associados (nem sempre embasados em estudos financeiros), que acabam por engessar os processos.

Uma das pesquisas da Endeavor também demonstra que o ambiente externo é essencial para o fomento ao empreendedorismo. Mas o ambiente interno é o fator principal de uma empresa conseguir inovar e se tornar competitiva.

Desse jeito, chegamos ao funcionário empreendedor. Desde que as empresas crescem, muitas vezes seus empreendedores se tornam meros gerentes ou mais comumente conhecido como o empresário. Schumpeter até localiza esse indivíduo quando ele para de inovar e vai gerenciar seu negócio. Daí a inovação fica a cargo dos subalternos.

Porém, cada vez menos indivíduos querem arriscar seu pescoço para elaborar uma ideia e acabar na rua da amargura (isso ocorre em todo o mundo, não só no Brasil, veja as recentes palestras de Alexander Osterwalder, sobre cultura das empresas – entrevista em inglês).

Para facilitar o desafio de um intraempreendedor, veja isso:

É bastante conhecido nos EUA, a história de Richard Drew, funcionário da 3M, inventor da fita crepe e do durex. A sua observação sobre a dificuldade dos lanterneiros para pintar os carros de preto e branco, na década de 1920,  foi o gatilho para que ele elaborasse uma fita para impedir o borramento das pituras.

O caso está relatado no livro “As dez faces da inovação”, de Tom Kelley e Jonathan Littman. Embora a empresa estivesse em dificuldades financeiras e já fosse conhecida por produzir lixas, o chefe de Richard, não só ordenou que parasse suas pesquisas, como ordenou-lhe a se ater aos seus serviços de produção de lixas.

Mas ele não obedeceu.

Ele continuou a pesquisar materiais e quando precisou pedir recursos para a compra de uma máquina de produção de papel para produzir sua fita.

seu chefe rejeitou seu pedido.

E o que ele fez? Diminuiu seu orçamento para o valor máximo que não precisava de autorização do chefe e conseguiu comprar a máquina com uma série de pedidos de compra.

Enfim, foi capaz de produzir a primeira fita crepe de 5 cm de largura, revestida num dos lados com adesivo sensível à pressão.

Ao cabo dessa história, a própria 3M passou a ser vista como uma empresa inovadora…

 

Percebe-se a importância do empreendedorismo dos funcionários e há políticas internas simples que podem ajudar a fomentá-lo, aqui citamos apenas três:

  • A primeira delas é a remuneração. Se o funcionário não é premiado com algum bônus ou qualquer tipo de compensação financeira, qual é a motivação para inovar?
  • A segunda mais importante é a flexibilidade de horários. Funções que permitem o empregado trabalhar em casa ou a empresa puder extender o horário de funcionamento interno para três ou quatro turnos, facilita tanto o dia a dia do funcionário para resolver problemas pessoais sem necessidade de faltar, atrasar, etc., além disso, também facilita a qualificação, sem que a empresa se comprometa necessariamente com isso.
  • Segurança empregatícia. Como vai arriscar o seu próprio emprego sem ter um mínimo de garantia que a empresa reconhece seu empenho?

Mas para isso é necessário modificar as rotinas da empresa que engessam os processos inovativos.

Vê-se, então, que embora a inovação seja considerada o motor da economia, ela é também temida.

Enfim…

Necessário entender que a inovação é um processo que geralmente começa com uma percepção de uma necessidade não atendida, mas que pode ser desenvolvida. A persistência em desenvolver essa ideia é também acompanhada do aprofundamento dos questionamentos e pesquisas para alcançar o objetivo. Muitas vezes, a ideia é vaga, mas cada vez mais que se pensa a respeito dela, mais vai se tornando concreta. Nas diversas fazes desta criação, muitos param pelo caminho por inúmeras razões. Os que continuam e perseveram até o fim conseguem, muitas vezes, realizar seus sonhos.

 

Se você quer saber como podemos ajudá-lo a desenvolver sua inovação, leia mais sobre o Modelo de Negócios Canvas e entre em contato conosco.

 

LIM

Bibliografia

Strategyzer. http://blog.strategyzer.com/

Juliani et al. Inovação social, perspectivas e desafios. 2014. http://www.revistaespacios.com/a14v35n05/14350423.html

INHAN MATOS, L.A.I. Um Paradoxo no Cluster de Vinho: Vantagens e Desvantagens da Região Demarcada do Douro sobre a Inovação, 2011. https://repositorio.utad.pt/handle/10348/2432

Tom Kelley e Jonathan Littman. As dez faces da inovação, 2006.

 

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